Conforme detalha o Dr. Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, a insuficiência venosa crônica é uma das condições vasculares mais prevalentes na terceira idade e, ao mesmo tempo, uma das mais negligenciadas no acompanhamento clínico do idoso. Frequentemente reduzida a uma questão estética relacionada às varizes visíveis nas pernas, essa condição carrega implicações funcionais e sistêmicas que vão muito além da aparência, comprometendo a mobilidade, a integridade da pele e a qualidade de vida de uma parcela expressiva da população geriátrica.
Neste artigo, você vai entender por que a insuficiência venosa merece um lugar mais central na avaliação clínica do idoso.
O que é a insuficiência venosa e por que ela se agrava com a idade?
As veias das pernas dependem de válvulas unidirecionais que impedem o retorno do sangue contra a gravidade, em um sistema que conta também com a contração da musculatura da panturrilha para auxiliar o fluxo sanguíneo de volta ao coração. Com o envelhecimento, essas válvulas perdem eficiência, a parede venosa se torna menos elástica e a musculatura da perna frequentemente se atrofia pela sarcopenia, criando um cenário em que o sangue se acumula nos membros inferiores, eleva a pressão venosa local e produz dilatação progressiva das veias superficiais.
Como ressalta Yuri Silva Portela, fatores adicionais comuns na terceira idade, como o sedentarismo, a obesidade, o histórico de trombose venosa profunda e o tempo prolongado em posição sentada ou em repouso no leito, aceleram a progressão da insuficiência venosa. Reconhecer esses fatores de risco durante a avaliação geriátrica permite intervenções preventivas que retardam significativamente a evolução da doença.
As complicações que vão muito além da estética
Quando não tratada adequadamente, a insuficiência venosa crônica progride por estágios que culminam em complicações graves. O edema persistente nas pernas compromete o uso de calçados adequados e aumenta o risco de quedas. As alterações de pele características da doença, incluindo hiperpigmentação, ressecamento e endurecimento do tecido subcutâneo, criam um ambiente propício ao desenvolvimento de úlceras venosas, feridas crônicas de difícil cicatrização que podem persistir por meses ou anos e representam uma das principais causas de incapacidade funcional em idosos.

Na avaliação de Yuri Silva Portela, a dor e o desconforto associados à insuficiência venosa avançada frequentemente levam o idoso a reduzir sua mobilidade, criando um ciclo vicioso em que a inatividade agrava ainda mais a estase venosa e a progressão da doença. Nesse sentido, romper esse ciclo exige reconhecimento precoce e intervenção ativa, não a resignação que frequentemente acompanha o diagnóstico de varizes na terceira idade.
Tratamento conservador e intervencionista no idoso
O tratamento da insuficiência venosa no idoso começa por medidas conservadoras com forte respaldo científico: o uso de meias de compressão graduada, a elevação dos membros inferiores em períodos de repouso e a prática regular de exercícios que ativam a bomba muscular da panturrilha, como caminhadas e exercícios de flexão e extensão do tornozelo. Essas medidas, simples e acessíveis, produzem melhora significativa dos sintomas e retardam a progressão da doença quando adotadas de forma consistente.
Conforme expõe Yuri Silva Portela, para casos mais avançados, procedimentos minimamente invasivos, como a ablação por radiofrequência ou laser endovenoso, oferecem resultados eficazes com recuperação rápida, mesmo em pacientes idosos com comorbidades, desde que a avaliação pré-procedimento seja cuidadosa e individualizada. A decisão entre tratamento conservador e intervencionista deve considerar o estágio da doença, a presença de complicações e o estado funcional geral do paciente.
Cuidados com a pele e prevenção de úlceras venosas
A pele do idoso com insuficiência venosa exige cuidados específicos que previnem a progressão para úlceras. Hidratação regular, proteção contra traumas e atenção a qualquer sinal de ferida incipiente são medidas que, embora simples, têm impacto significativo na prevenção de complicações graves. O acompanhamento regular com avaliação da pele das pernas deveria integrar a rotina geriátrica de forma sistemática, especialmente em pacientes com fatores de risco já identificados.
Segundo Yuri Silva Portela, tratar a insuficiência venosa com a seriedade clínica que ela merece é proteger a mobilidade e a autonomia do idoso antes que complicações evitáveis se instalem. Uma condição frequentemente vista como estética carrega, na realidade, implicações funcionais que a medicina geriátrica não pode continuar a subestimar.



