Fredy da Silva Gonçalves Bento, empresário da Baixada Santista conhecido como Fredy Restrito, prepara a Litoral Mobilidade para uma nova etapa: levar a rede de lojas de veículos elétricos do litoral paulista para outras regiões do país por meio de franquias. A escolha recoloca uma dúvida comum a toda empresa que cresce além da cidade de origem.
Abrir novas unidades com recursos próprios ou permitir que outros empreendedores operem a marca? Os dois caminhos levam ao mesmo resultado aparente, mais pontos de venda, mas mudam quase tudo por trás da fachada: quem investe, quem decide, quem assume o risco e como a qualidade é preservada a centenas de quilômetros da matriz.
Loja própria: controle total, capital próprio
Na expansão por lojas próprias, a empresa financia cada nova unidade. Fredy da Silva Gonçalves Bento ressalta que aluguel, reforma, estoque, contratação e capital de giro saem do caixa da companhia ou de financiamento obtido por ela. Em troca, o controle é integral: preço, atendimento, mix de produtos e padrão de serviço seguem exatamente o que a direção define.
O limite está na velocidade. Cada loja nova consome recursos que poderiam reforçar as existentes, e a gestão a distância exige gerentes de confiança em cada praça. Para uma operação que trabalha com estoque elevado, como acontece no varejo de veículos elétricos, abrir muitas unidades ao mesmo tempo pode comprometer o caixa justamente no momento de crescer.
Franquia: capital de terceiros, controle por contrato
No modelo de franquias, o investimento na unidade é feito pelo franqueado. A franqueadora entrega marca, método de operação, treinamento, suporte e acesso a fornecedores, e recebe em troca uma taxa inicial e, em geral, royalties periódicos.
A expansão fica mais rápida e menos dependente do caixa da matriz. O controle, porém, deixa de ser direto. Ele passa a depender de manuais, treinamento, supervisão de campo e contrato. Uma rede de franquias só preserva a qualidade quando consegue transformar o que funciona nas unidades originais em procedimentos claros, que qualquer equipe treinada consiga repetir.
O que a lei exige de quem franqueia
No Brasil, a relação entre franqueador e franqueado é regulada pela Lei 13.966, de 2019. O ponto central é a Circular de Oferta de Franquia, documento que precisa ser entregue ao candidato pelo menos dez dias antes da assinatura do contrato ou de qualquer pagamento.
A circular reúne informações como balanço da franqueadora, investimento estimado, taxas cobradas, obrigações das partes e relação de unidades em funcionamento. A exigência existe porque o franqueado assume risco financeiro relevante e precisa decidir com base em dados, e não apenas na força da marca.
Por que a loja própria vem antes
Uma franquia vende conhecimento testado. Sem operação própria consolidada, não há método a transmitir, apenas uma ideia. Por isso, redes bem-sucedidas costumam amadurecer primeiro em unidades próprias, onde erros são corrigidos antes de serem replicados.
É essa a lógica descrita por Fredy da Silva Gonçalves Bento para a Litoral Mobilidade. O projeto de franquias parte do que a empresa já executa no dia a dia: varejo, assistência técnica, importação, distribuição e gestão de lojas, apoiados por um centro de distribuição com mais de 2.000 metros quadrados e mais de 40 colaboradores. No segmento de mobilidade elétrica, em que pós-venda e reposição de peças pesam tanto quanto a venda, essa base operacional é o que dá substância ao modelo.
Quando o regional ganha escala nacional
A escolha entre lojas próprias e franquias raramente é definitiva. Muitas redes combinam os dois modelos, mantendo unidades próprias como referência de padrão enquanto os franqueados ampliam o alcance da marca.
Para a Baixada Santista, o movimento tem um significado adicional. Empresas que nascem na região e conseguem exportar seu método para outros estados levam junto parte da economia local, em centros de distribuição, equipes de suporte e cadeias de fornecimento. No caso de Fredy da Silva Gonçalves Bento, a expansão em curso é o capítulo mais recente de uma trajetória iniciada no comércio de roupas em São Vicente, há mais de duas décadas.



