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Comprar, alugar ou terceirizar máquinas na fazenda

Muitas colheitadeiras trabalham poucas semanas por ano e passam o restante do tempo paradas no galpão, e Parajara Moraes Alves Junior, consultor em planejamento tributário, sucessório e patrimonial rural, avalia que a decisão sobre a frota costuma ser tomada pelo entusiasmo, e não pela conta. Máquinas próprias, aluguel e contratação de serviços terceirizados têm custos, riscos e efeitos tributários diferentes. A gestão rural eficiente compara as três opções antes de cada investimento relevante.

O custo real da máquina própria

Ter a máquina na propriedade garante disponibilidade no momento exato do plantio ou da colheita, vantagem importante quando a janela climática é curta. O custo, porém, vai muito além da parcela do financiamento: entram depreciação, juros, seguro, manutenção, combustível, operador e o capital imobilizado que poderia ser usado em outra finalidade.

A medida que permite comparar é o custo por hora trabalhada ou por hectare atendido. Na análise de Parajara Moraes Alves Junior, quanto menor o uso anual, maior o custo por hectare. É justamente nas máquinas de uso concentrado, como colheitadeiras e plantadeiras de grande porte, que a frota própria pesa mais no resultado.

Um exemplo hipotético ilustra a diferença. Uma colheitadeira de R$ 2 milhões usada em 800 hectares por ano tem custo fixo por hectare muito superior ao de uma máquina igual que atende 2.500 hectares, porque depreciação, juros e seguro se diluem sobre uma área menor.

Aluguel e serviço terceirizado

O aluguel transfere ao produtor o uso da máquina sem a necessidade de comprá-la. Ele continua responsável pela operação, mas evita o investimento inicial e a depreciação. A contratação de serviço vai além: o prestador entrega a operação completa, com máquina, operador e manutenção, cobrando por hectare ou por hora.

O principal risco das duas opções é a disponibilidade. Em regiões onde todos colhem ao mesmo tempo, o prestador pode não chegar no momento ideal, e o atraso custa produtividade. Contratos com datas e prioridades definidas reduzem o problema, assim como arranjos de uso compartilhado entre vizinhos, como condomínios de máquinas.

Parajara Moraes Alves Junior
Parajara Moraes Alves Junior

O aluguel e a terceirização também liberam o produtor da gestão de manutenção, peças e operadores qualificados, recursos cada vez mais escassos em muitas regiões. Em contrapartida, ele perde parte do controle sobre a qualidade e o ritmo da operação.

Efeitos no Imposto de Renda e na reforma

O tratamento tributário também pesa na escolha. Na pessoa física, a compra de máquinas pode ser lançada como despesa no ano do pagamento, enquanto aluguel e serviços entram como custeio da atividade. Na pessoa jurídica pelo lucro real, bens do ativo imobilizado usados na atividade rural contam com depreciação acelerada, que permite deduzir o valor de uma só vez.

A Reforma Tributária acrescenta outro fator, Parajara Moraes Alves Junior pondera que o fornecimento de tratores, máquinas e implementos a produtor rural não contribuinte da CBS e do IBS tem alíquota zero. Já o produtor contribuinte pode tomar crédito sobre a compra da máquina e sobre serviços contratados. A comparação entre comprar e terceirizar, portanto, muda conforme o enquadramento de cada produtor.

Como decidir com números

O ponto de partida é medir o uso efetivo de cada máquina ao longo do ano e calcular o custo por hectare da frota atual. Em seguida, vale cotar o aluguel e o serviço terceirizado para a mesma área e comparar os valores, incluindo o risco de atraso nas operações críticas. A conta deve considerar também o custo de manter operadores treinados durante todo o ano, e não apenas na safra.

Linhas de financiamento com juros subsidiados, como as do Plano Safra, podem tornar a compra atraente, mas não eliminam os custos fixos. Segundo Parajara Moraes Alves Junior, a melhor frota combina máquinas próprias para operações em que a pontualidade é decisiva e terceirização para atividades de uso esporádico, mantendo o capital disponível para o que realmente gera retorno.

 

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