A EBS – Empresa Brasileira de Saneamento convive com um desafio que depende menos de engenharia e mais do comportamento diário da população, o descarte correto de resíduos nas redes de água e esgoto. Hábitos simples, repetidos em milhões de residências todos os dias, têm impacto direto sobre o funcionamento de toda a infraestrutura de saneamento básico.
Levantamentos do setor indicam que cerca de 40% dos entupimentos registrados em redes de esgoto estão relacionados ao descarte inadequado de resíduos sólidos e líquidos, problema que se repete em praticamente todas as regiões do país.
O destino do lixo não é o vaso sanitário
Lenços umedecidos, fraldas descartáveis, absorventes, cotonetes e fio dental estão entre os itens mais encontrados obstruindo as redes de esgoto, já que, diferente do papel higiênico, esses materiais não se desmancham em contato com a água.
Descartar corretamente esses materiais no lixo comum, em vez do vaso sanitário, representa um dos hábitos mais simples e mais eficazes para reduzir a ocorrência de entupimentos ao longo de toda a rede coletora de esgoto.
Segundo profissionais que atuam na ponta desse processo, entre eles a EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, empresa especializada em soluções para saneamento básico, boa parte dos entupimentos registrados nas redes urbanas poderia ser evitada com hábitos simples de descarte, como usar o lixo comum para esse tipo de resíduo.
O problema por trás do óleo de cozinha descartado na pia
Óleo de cozinha despejado de forma incorreta na pia se solidifica ao esfriar, formando placas de gordura que reduzem o diâmetro interno das tubulações e, com o tempo, provocam entupimentos que exigem intervenções complexas, muitas vezes com abertura de ruas para reparo.
Um único litro de óleo descartado incorretamente tem potencial para contaminar entre 20 mil e 25 mil litros de água, volume equivalente ao consumo de uma pessoa ao longo de vários meses, segundo estimativas de especialistas em meio ambiente.
Óleo mineral, usado em veículos automotores, também aparece com frequência entre os resíduos descartados de forma incorreta, contaminando solo e água quando despejado diretamente no chão ou em bueiros de rua, prática que costuma passar despercebida por quem a realiza.
Companhias de saneamento, entre elas a EBS, costumam promover campanhas educativas para a população, voltadas ao descarte correto de óleo de cozinha e resíduos sólidos, buscando reduzir entupimentos antes que eles cheguem às estações de tratamento

Quanto custa, na prática, o descarte incorreto?
Desobstruir redes de esgoto, reparar tubulações danificadas e lidar com transbordamentos causados por descarte incorreto em larga escala geram custos operacionais que, no fim, tendem a se refletir nas tarifas cobradas de toda a população atendida pelo sistema.
Comparar índices de entupimento antes e depois da implementação de campanhas educativas em determinado bairro costuma revelar queda expressiva nos chamados registrados, evidência de que mudança de comportamento produz resultado mensurável em prazo relativamente curto.
Iniciativas que buscam mudar esse hábito
Restaurantes, bares e estabelecimentos comerciais que geram grande volume de óleo de cozinha também precisam manter limpeza periódica de caixas de gordura, sob risco de multas e interdições em caso de descumprimento das normas sanitárias vigentes. Redes sociais e aplicativos de mensagens também têm sido usados por prestadoras de saneamento como canal adicional para reforçar orientações sobre descarte correto, alcançando públicos de todas as faixas etárias, incluindo os mais jovens, que dificilmente teriam contato com campanhas tradicionais impressas. Parcerias com comércios locais, como padarias e mercados de bairro, também têm sido usadas para ampliar pontos de coleta de óleo de cozinha, aproximando a solução do dia a dia das famílias sem exigir deslocamentos longos até um posto especializado.
Sob a perspectiva da EBS, mudar hábitos de descarte da população é tão importante quanto qualquer investimento em infraestrutura física de redes. Ações educativas voltadas a crianças e adolescentes em escolas públicas também têm ganhado espaço como estratégia de longo prazo, na expectativa de formar, desde cedo, hábitos de descarte mais conscientes entre as próximas gerações. Engajar a população no uso correto das redes de água e esgoto deve continuar sendo parte essencial da estratégia de eficiência do saneamento básico brasileiro.



